
Para o público uberabense sedento por rock, no último sábado, a fonte estava no Café do Teatro. A
Noite Fora do Eixo reuniu três bandas, que representam bem o rock. Casa cheia e público ansioso para ver os shows. O cheiro no ar tinha uma mistura de perfumes, suor, bebidas, entre outros, mas a diferença era a falta de um conhecido cheiro, o do cigarro. A lei que vale agora proibindo fumar em locais fechados se fez valer. O som eletrônico antes dos shows já aquecia, trazendo sucessos clássicos junto com os atuais.
As luzes, as roupas do pessoal, cada um com seu estilo, cabelos coloridos, tênis, acessórios, tatuagens, tudo fazia parte do clima.
Killer Klowns abriu a festa mandando um Guns´n Roses que já levantou a galera. Com seu visual irreverente, e a qualidade com que tocam, conquistam fãs de Hard Rock e vão além. Durante o show também tocaram Judas Priest, ACDC e Skid Row. Mas o destaque vai para as músicas próprias. Era visível a animação do pessoal ali na frente do palco, cantando os refrões de Shout Your Name e Up High, por exemplo. Isso deixa o pessoal da banda bem feliz, como disse Teets, o guitarrista, “A gente percebe a recepção calorosa do pessoal aqui de Uberaba, e fica cada vez melhor. Tudo que a gente quer é ver o pessoal cantando nossas músicas. Hoje conseguimos vender muitos dos nossos discos, sinal que a galera está curtindo.”
Apesar da satisfação do show estampada no rosto dos integrantes, ele aponta uma dificuldade enfrentada: “O maior problema é a falta de união entre as bandas, dentro do rock. Temos muitos amigos, mas vemos muita coisa chata, como bandas querendo competir, uma querendo ser melhor que a outra, e isso prejudica todo mundo, no final.”
Talvez os festivais e os eventos como os realizado pelo Circuito Fora do Eixo ajudem a contribuir nesse sentido. O show dos uberlandenses do Killer Klowns conquistou o púlico presente. O vocalista Dino não pôde comparecer, mas Platini, vocalista da banda Skyhell representou bem. O próximo objetivo é lançar o primeiro clipe.
DCV tocou em seguida, com o seu público cativo curtindo cada acorde da banda de punk rock. Mandaram no meio do show, um pouco de TNT, banda anos 80 do sul, Ultrage a Rigor e uma que foi sucesso com os Raimundos. Mas a galera delira mesmo é com os refrões das conhecidas. Todo mundo gritando o refrão “vagabunda!” e se divertindo é sempre um momento marcante do show do DCV. A banda dos “dois caras velhos” tem oito anos de estrada, mas com a atual formação, com a ruiva Kaká no baixo, completou um ano.
Com tanta experiência, o vocalista Guilherme Diamantino conta que percebe uma mudança no cenário musical independente, mas que a mudança também está nas pessoas: “O público está antenado em tudo, não se atém à cultura de massa. Pode-se dizer que está se formando um público independente também, que sempre busca coisas novas” Diamantino resume o clima desse Noite Fora do Eixo: “Estava muito quente, a gente quase derretendo, mas adoramos o show hoje”. Ainda no segundo semestre desse ano, o DCV lança seu segundo CD, um só de inéditas.
Black Drawing Chalks fechou a noite. Antes do show, os meninos de Goiânia estavam ansiosos. Contaram que já tocaram em algumas cidades mineiras, como Uberlândia, BH, Sabará, mas em Uberaba seria a primeira vez.
Sobre a música My favorite Way, selecionada pela revista Rolling Stone como destaque de 2009, eles contam que foi uma grande satisfação, um reconhecimento de toda a ralação do ano, tempo em que precisam abdicar de algumas coisas, como a companhia da família e namoradas. Mas no final valeu a pena.
Com dois discos lançados pela Monstro Discos, o próximo passo é lançar um ao vivo em Goiânia. A gravação está programada para junho deste ano. Enquanto isso, eles vão colhendo os frutos do sucesso, como uma turnê marcada com 5 shows na Argentina. Renato Cunha, guitarrista, define o som da banda como “rock’n roll pra dançar”. No final, devem ter se sentido bem, já que o pessoal cantou e dançou bastante. Os sorrisos e elogios mostravam que a galera curtiu o show dos goianos.