Tem horas que a gente se pergunta, porque é que não se junta tudo numa coisa só?
Cinco anos atrás eu era uma garota, entrando na faculdade de psicologia, cheia de sonhos e desejos mas extremamente insatisfeita com a cena artística/musical Uberabense. Hoje, tanta coisa mudou! Eu não gostava de Uberaba exatamente por ser a “terra do zebu”, tipicamente sertaneja. Nada contra o sertanejo, mas tudo contra um único tipo de arte dominante e que não permite que outras sejam expressadas.
Então, por obra do acaso eu conheci O Teatro Mágico. Arte, de todas as formas, expressa de uma maneira conjunta. Um dos questionamentos que o Teatro sempre fazia era, porque é que não se junta tudo numa coisa só? E traziam a idéia de sarau coletivo, móvel e, até mesmo, porque não, “eterno”. Era mágico ver todas as artes no palco, juntas, funcionando ao mesmo tempo. “Eu vim aqui reivindicar, eu quero isso todo dia!” Até mesmo aquelas que não me agradavam tanto, somando, me traziam um novo universo. A partir deste conhecimento resolvi criar saraus… bom, se eles conseguiram, será que não haveria mais gente aqui na “terra do zebu” afim de compartilhar dessa arte comigo?Gente que também não se conformava com a dominância sertaneja? Qual não foi minha surpresa ao ver que estava certa, algumas pessoas compareceram sim aos saraus (foram três no total) e a troca que foi feita ali, com certeza, marca até hoje.
Nesse período eu também tive o “Guia da cultura” que era um blog voltado para a divulgação de eventos culturais/artísticos em Uberaba e até que deu bem certo viu? Tinha um público freqüente, apesar da simplicidade do blog. Seguiu-se ao Guia da Cultura o meu blog pessoal, no qual posto textos e poemas, crônicas e críticas musicais, algo bem mais restrito e intimista.
Depois dessa fase foi que eu conheci o Megalozebu. (E hoje faço parte da equipe de comunicação) ”Ah! São coisas da vida. Ah! Que a gente se olha e não sabe se vai ou se fica!” O Megalozebu trouxe de novo em mim essa vontade de fazer o diferente, de ir contra essa cultura dominante e opressora (porque não?) e trouxe a esperança. A esperança de que existem por aí mais pessoas que compartilham de um mesmo ideal, que acreditam na arte fora do eixo e acreditam que é possível fazer arte, cultura, tudo ao mesmo tempo agora, ainda que o cenário seja improvável, ainda que a tradição tente boicotar todo o tempo. A minha paixão foi aos poucos, servida no prato do dia em pequenas doses, exatamente para ser saboreada. O Novas Tendências foi o começo… quer coisa melhor do que um festival ao ar livre, com oficinas e música, com pessoas de diferentes estilos e idades (mostrando a diversidade, até então escondida, uberabense), respeitando-se (ah! Como isso é importante) e apenas querendo ser feliz e desfrutar do que está sendo oferecido? “Todo mundo procura um lugar, pra poder compartilhar, da dor e da alegria!” E no Megalozebu esse lugar existe, essa arte é possível. Dúvida?Venha ver com seus próprios olhos… mas não se atrase, o prato do dia está sendo servido…pra todo dia.



