
O que importa é como você se vê.
Como disse o mestre Vinícius de Moraes – em minha opinião, autor dos mais belos e sensíveis poemas de amor – “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. É? Eu diria que, além de fundamental, beleza se põe à mesa e ainda abre o apetite. Não existe amor à primeira vista, apenas nos sentimos atraídos por algo, seja físico ou intelectual, naquela pessoa e que nos desperta o interesse. E é nesse “algo” que está à chave para descobrir que o contrário de beleza não é feiúra. Acredito até que beleza não tem antônimo.
Se partirmos do princípio de que cada um de nós aprecia atributos físicos distintos, seria errôneo estereotipar um conceito do que é feio ou belo. Para muitas pessoas, deve-se ser magro para ser bonito. Algumas adoecem tentando seguir esse padrão. Mas como disse o rei Roberto Carlos: “Quem foi que disse que tem que ser magra para ser formosa?” Com certeza, ele é um amante das formas arredondadas, como podemos confirmar ao olhar o padrão corporal de suas ex-mulheres. Então, quem está certo ou errado nesse conceito de beleza?
Algumas pessoas são fascinadas por cabelos claros, outras, como eu, preferem os escuros; já outros, apreciam a chama dos fios ruivos. Portanto, com qual cor devo pintar meu cabelo? Na realidade, não é o fato de amar o feio que o torna belo. Somos criados de forma distinta, aprendemos a gostar e admirar arte, música, poesia e pessoas de forma diferente. Além de nascermos com algo interiorizado e inexplicável que nos faz captar a beleza sob diversos ângulos.
Isso faz com que um quadro perfeito, para muitos, possa ser medíocre, para outros. Ou que a Gisele Bündchen, para muitos, seja um exemplo de corpo ideal, mas para alguns, não passe de mais uma modelo magrela e sem sal. Todos nós temos pequenos ou grandes defeitos que alguns ridicularizam e outros acham que é um charme a mais. O importante nisso tudo é perceber que a essência da beleza está na forma particular com que cada um enxerga e não em conceitos preestabelecidos socialmente.
Não podemos, e nem se tentássemos com afinco conseguiríamos, agradar a gregos e troianos. O importante é agradar a si mesmo quando se olha no espelho. Até porque não existem pessoas feias, mas sim, aquelas que ainda não passaram pela mão do Pitangy ou pelos Photoshops da vida.
Alliny Araújo – Jornalista
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