Tantas vezes me pego perguntando se o caminho que percorremos é o correto? Se vamos ou não chegar à lua? Se a vida é como se pinta? Se essa viagem, além de ser um barato, vai se tornar o essencial da nossa felicidade? Não sei, como talvez você também não saiba ou não entenda o que quero dizer. É bem simples e eu vou tentar explicar. Quero dizer que amo a escrita com as vísceras de um jornalista, mas odeio a pirâmide invertida como uma venda a criatividade.
Amo falar de coisas, amores e pessoas como um poeta, mas odeio invadir a vida, os amores e as coisas dessas mesmas pessoas a fim de simplesmente vender notícia. Amo mergulhar fundo nos problemas sociais como um antropólogo naquela tribo escolhida, mas odeio usar esses mesmos problemas para fazer sensacionalismo. Amo ter o poder de usar as palavras para levar esse texto até você, mas odeio ter que usar esse mesmo poder em prol da alienação.
No mais, nesses encontros casuais, pincelo uma ou outra sensibilidade, seguindo e acreditando nos pensamentos e na forma mais pura de exposição: o ato de escolher as letras, formar as frases e por um ponto final. Sei de tudo que acho certo, do que torna o futuro incerto e de cada sapo a degustar. Sei dos desabores da profissão, sei dos engessamentos das vírgulas e da manipulação dos fatos, sei das respostas prontas e das perguntas que não devem ser publicadas.
Sei da falta de sonhos de mudança, sei das maluquices alternativas que ainda lutam para sobreviver, mais sei da elite que reprime e sustenta a falta de ética como prioridades comunicativas. Sei sobre beharvorismo, um pouco de Freud, apesar de preferir absurdamente as discordâncias e a humanidade de Jung. Sei um tanto de sociologia, alguma coisa sobre redação, e quase nada sobre as técnicas. Sei sobre indústria cultural e aprendi a detestar o conceito de cultura de massa.
Sei de tantos meses passados diante de um quadro, ouvindo palavras de motivação e de desalento. Entendo os que não acreditam e aqueles que são otimistas demais. Busco os olhos dos aflitos e daqueles que querem a revolução. Sinto as mãos frias de nervoso e o cansaço daqueles que nada querem fazer. Percebo a ilusão de alguns e a realidade massacrando devaneios de outros. Tento saber um pouco mais de mim, enquanto procuro em cada letra a palavra correta para esse texto.
Quero apenas seguir o meu caminho, sem precisar da certeza de que é o certo. Apenas entrar na próxima espaçonave, mesmo que a lua fuja da rota e o máximo que encontre seja um cometa. Quero escolher as cores, sem entender qual ficaria melhor aqui ou ali. Quero a essência da minha felicidade, que ainda não sei se conquistarei nessa viagem, mas tenho certeza que virá na concretização desse sonho chamado Jornalismo. Era bem simples, mais não sei se consegui explicar!
Alliny Araújo – Jornalista
alliny_araujo@hotmail.com – @Dependy






