
Hoje resolvi falar sobre uma das “classes sociais” no qual a sociedade me encaixa: a das gordinhas, ou fofinhas quando tentam ser gentis. Eu já prefiro me rotular como gostosa, por N motivos. Um deles é que, como milhares de mulheres por aí, sou muito bem resolvida quanto ao meu peso e o amor que sinto por mim é bem maior do que os estereótipos sociais onde querem me enquadrar. Outro motivo é que nossa carne é mais macia, suculenta, boa de apertar, morder. Tem mais espaço para encaixar, pegar e muito mais delícia pra mostrar. Além do mais, já passou da hora do mundo perceber que os quilos da balança pouco interferem no caráter e na personalidade de alguém.
Na verdade, acho até que isso vem mudando. Ultimamente vejo nas redes sociais várias manifestações em prol das gordinhas. É foto de namorado com orgulho de sua gostosa exposta e seminua. São textos elogiando os homens (e as mulheres) que não se importam com a circunferência de suas namoradas. São gordinhas virando modelos e mostrando que não é preciso se matar para ter “tudo no lugar”. Sensualidade vem de dentro para fora e não o oposto como querem nos fazer acreditar.
É óbvio que não pretendo exaltar a obesidade, muito menos dizer que é legal ser sedentário. Muito pelo contrário. Eu mesma caminho mais de duas horas, pelo menos três vezes na semana. E quero sim entrar na academia o quanto antes. Contraditório? Claro que não. É preciso, antes de tudo, ser saudável e exercício físico não faz bem só para estética. Faz bem pra cabeça e modela as curvas que nós, gordinhas gostosas já temos.
Portanto, mundo, que fique claro. O problema das gordurinhas localizadas está muito mais na cabeça de vocês do que no corpo de quem as tem. E antes de tentar colocar uma gordinha pra baixo, dizendo a ela que não está no padrão social aceito, pense que por trás de qualquer aparência, existe uma pessoa que tem sentimentos e só quer ser feliz, com o corpo que conseguir e quiser ter, sem precisar ficar ouvindo opiniões que ela não pediu a respeito de seu físico.
E gordinhas, entendam, somos sim gostosas e muito mais felizes que um bando de mulher que fica por aí se matando, comendo alface e bebendo água o dia todo apenas para satisfazer os outros. Nós satisfazemos a nós mesmas em primeiro lugar. E se isso incomoda alguém, foda-se. Saber se amar pelo que é, com qualidades e defeitos que tem é uma dádiva preciosa. E isso vale pra todo mundo.
Lembrem-se sempre: se você não tem nada agradável para dizer a uma pessoa, fique calado. Todos nós precisamos de motivação, incentivo, amor, entendimento e menos, na verdade nada, de preconceito e ideias preconcebidas e tão antigas que já saíram de moda. Viva a diversidade e a possibilidade de sermos nós mesmos, do jeito que somos, sem padrões e neuras que só atrapalham nossas vidas.
Alliny Araújo – Jornalista
alliny_araujo@hotmail.com – @Dependy