Ultimamente o cenário da música independente vem se ampliando à cada dia, aonde nós vamos podemos nos deparar com um cd, lp ou até mesmo um show que nos surpreende com estilo, independentemente de rótulo e classificação, considerando que cada um possui seus próprios gostos.
Em muitos lugares do Brasil a cena independente mostra seus valores e agrega um novo quadro na música do nosso país.
Muitos dos artistas nasceram no berço da cena Indie, outros já nasceram para construir aos poucos seu nome dentro de todos os espaços a serem preenchidos com a música.
Os grandes responsáveis por essa força é a internet e os festivais, nos quais talentos são descobertos e enriquecem o grande mosaico que é composto a nossa música popular brasileira. Cada estado da federação contém um baú de tesouros musicais a serem descobertos, mas infelizmente a nossa mídia é monopolizada e fica complicado desvendar relíquias para um público em que a maioria se encontra hipnotizado pelos grandes monstros da indústria fonográfica, esse é um fator que em minha opinião dificulta a vida das bandas da cena indie no Brasil. Mas, por outro lado, podemos ver que é uma cena que não para e como tudo no universo está em constante movimento e muita coisa é feita em prol da música pelos selos e bandas independentes no Brasil. Como por exemplo o circuito de festivais da ABRAFIN, eventos já consagrados por mais de d écada como o Abril Pro Rock, o Mada e outros festivais de um nível considerável alto e uma exímia produção e organização.
Esse cenário independente tende cada vez mais a se tornar rico e promissor para o investimento de festivais e projetos voltados em prol da música e da cultura brasileira, possibilitando o crescimento da qualidade e aumento da reputação da música brasileira em outros países, levando em conta o interesse de outros países na música do Brasil. Um exemplo vivo foi o feito de David Byrne do Talking Heads quando descobriu o álbum “Todos os olhos” do compositor baiano Tom Zé, gravado por volta de 1973. Byrne convidou o músico para lançar seu trabalho nos Estados Unidos da América e depois na Europa, isso quando Tom Zé passou quase dezoito anos no esquecimento da memória musical de nosso país. Dessa pequena história, podemos tirar uma leve conclusão de um certo desprezo pela criatividade de alguns músicos brasileiros perante as grandes gravadoras, que hoje esse quadro vem se revertendo através de alguns selos mais voltados para o indie e com uma grande força comercial que é o exemplo da Trama, mas, nem mesmo assim as gravadoras deixam de escapar da realidade que manipulam o cenário fonográfico visando apenas o fator lucrativo.
Mas o meu otimismo expresso sobre a cena independente é que sempre haverá um músico e um ser humano que nunca deixará a música brasileira sucumbir perante a “ditadura” das multinacionais do cruel mercado fonográfico mundial. E que a música brasileira ganhe punhos de aço e massacre a monopolização do cenário cultural e musical.
Guilherme Fernandes






